AS QUINTAS DOS HORRORES
A tua ação hoje ajuda a pôr fim a uma realidade que continua a ser permitida em Portugal.
O Prémio Jornalístico VERDADE ANIMAL é uma iniciativa que pretende destacar e premiar reportagens jornalísticas publicadas em Portugal que promovam o bem-estar e direitos animais. O prémio totaliza 5.000€.
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SEM GAIOLAS
Cada dia atrás de grades é mais um dia de dor para os animais: sem espaço, sem luz, sem liberdade
A NOSSA MISSÃO
A Frente Animal existe para dar a conhecer a vida dos animais que vivem na sombra do nosso sistema alimentar, a fim de envolver os decisores políticos na melhoria da sua proteção e do seu estatuto moral.
É altura de trazer os interesses destes animais para primeiro plano!
EXPLORAÇÃO INDUSTRIAL DE ANIMAIS,
uma máquina de sofrimento
É POSSÍVEL
REDUZIR O SOFRIMENTO DOS ANIMAIS
ATRAVÉS DE PEQUENAS MUDANÇAS.
o trabalho QUE A
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faz
progresso
EDUCAÇÃO
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Dar um passo em frente, com uma mudança de cada vez
Empoderar as pessoas que se preocupam
Diminuir a dependência de animais
- Investigação sobre a produção animal em Portugal e exposição das práticas actuais.
- Produção e compilação de conhecimento sobre o sector da pecuária
- Elaboração de recomendações políticas e empresariais
- Campanhas educativas sobre o tratamento ético dos animais de criação
- Divulgação de conhecimentos científicos sobre a senciência dos animais
- Promoção de alternativas ao consumo de proteínas animais
- Promover o desenvolvimento de tecnologias que substituam os animais ou reduzam o seu sofrimento
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Dar um passo em frente, com uma mudança de cada vez
Investigação sobre a produção animal em Portugal e exposição das práticas actuais.
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são mortos com gás ou massacrados vivos.
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O custo humano da indústria animal – Reportagem Exclusiva Frente Animal
“Não nos veem como seres humanos”: O abuso dos trabalhadores imigrantes na indústria do frango
- Sara Salgado
Uma indústria que abate 8000 frangos por hora trata os seus trabalhadores praticamente da mesma forma: como máquinas descartáveis. Turnos de 14 horas, ameaças constantes, pausas negadas para urinar, contratos falsificados — tudo tolerado em silêncio porque “uma pessoa precisa do emprego”.
Os dias de Joel e Tiago*, dois jovens imigrantes em Portugal, começam cedo. De segunda a sexta-feira, o despertador toca às 3 horas da manhã para que consigam chegar ao local de trabalho antes das 4h30, hora em que começam a trabalhar. Quanto à hora de saída, essa não é certa. «Podemos sair às 6 da tarde», diz Joel, «nunca sabemos a que horas vamos sair.»
No centro de abate onde trabalham, na zona de Viseu, os horários excessivos são uma realidade diária. Durante o dia de trabalho, que pode durar mais de 14 horas, os trabalhadores têm direito a apenas 15 minutos de intervalo para o pequeno almoço, e 30 minutos para o almoço. «Já vi pessoas que tiveram congestão no trabalho por nos pressionarem a comer depressa», partilha Tiago.
Estes ritmos excessivos estão inseridos numa indústria que se caracteriza por velocidade e eficiência. Em Portugal, os centros de abate de aves relatam abater cerca de 6000 a 8000 frangos por hora, ou seja, 100 a 133 frangos por minuto. O que os centros de abate não relatam é a pressão e o desgaste físico e psicológico das pessoas que realizam este trabalho.
Joel conta que, no centro onde trabalha, os gritos e as ameaças são constantes. Se estiverem a trabalhar a um «ritmo de trabalho normal», os supervisores gritam «acelera, acelera, mexe as mãos, car*lho.» Muitas vezes, até os pedidos para urinar são negados. «Eles querem que uma pessoa seja uma máquina», acrescenta, «não nos veem como seres humanos.»
A realidade da indústria para além dos matadouros
Esta pressão física e psicológica sobre os trabalhadores não acontece apenas na linha de abate. Muito antes dos frangos chegarem ao matadouro, é preciso criá-los para que alcancem o tamanho e o peso desejado.
Alice, uma ex-trabalhadora brasileira de uma quinta de produção de frangos em Leiria, conta-nos que no primeiro dia de trabalho achou «que ia desmaiar», porque trabalhou «sem pausas, sem comer e sem beber, das 7 da manhã até às 14h», sendo que o dia de trabalho terminava apenas às 17 horas.
Alice foi contratada através de uma agência de emprego para realizar a limpeza dos pavilhões. Na realidade, acabou por ser forçada a realizar trabalho de quinta, mas sentia que não podia reclamar por ter medo do “engenheiro”. «Os chefes eram chamados de “engenheiro”, cada quinta tem o seu», diz Alice, explicando que estes são os responsáveis por delegar as tarefas nas quintas. «Todos tinham medo do tal engenheiro» e «escondiam-se quando o viam na quinta», partilha.
Em fevereiro de 2025, uma investigação jornalística da RTP revelou práticas semelhantes de pressão psicológica sobre os trabalhadores da indústria do frango, incluindo relatos de pessoas forçadas a matar frangos à paulada contra a sua vontade. Segundo a reportagem, alguns trabalhadores chegaram mesmo a ser ameaçados de despedimento caso se recusassem a realizar essas tarefas.
Alice admite ter passado por uma situação semelhante. Essa pressão psicológica
constante, aliada à intensidade «desumana» do trabalho, tornaram este trabalho muito desgastante para si. «Era muito difícil», partilha, mas «eu precisava de emprego porque vim com a minha família, não podia reclamar.»
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Abusos laborais e o silêncio por necessidade
Não aconteceu apenas com Alice a realidade do trabalho não corresponder ao descrito no contrato. «As informações estão completamente distorcidas», diz Joel enquanto aponta com frustração para o contrato de trabalho que assinou.
Lá, encontra-se descrito que o seu horário é das 6 às 15 horas, de segunda a sexta-feira, com pausa de uma hora para almoço. Na realidade, Joel e Tiago entram sempre às 4h30, nunca trabalharam menos de 10 horas, e têm apenas 45 minutos de descanso. Muitas vezes, são obrigados a trabalhar aos fins-de-semana e feriados, e já foram ameaçados de despedimento por quererem recusar. «Nós aguentamos isso tudo só por causa da necessidade», desabafa Joel.
Segundo os artigos 227º e 228º do Código de Trabalho, só podem ser exigidas horas extra aos funcionários em situações muito específicas, como quando existe um acréscimo inesperado de trabalho que não justifique a contratação de outro trabalhador, e apenas até a um máximo de 2 horas num dia de trabalho normal. A violação destes termos, como descrito nos respetivos artigos, «constitui uma contra-ordenação muito grave».
«Eles aproveitam-se muito das pessoas não saberem [os seus direitos]», diz Joel,acrescentando que os abusos laborais no seu local de trabalho são uma realidade transversal a trabalhadores imigrantes e portugueses.
Helena, uma ex-trabalhadora portuguesa de um centro de abate da Lusiaves, sentia que o trabalho «era um bocado escravatura», mas que «uma pessoa acaba por se calar porque precisa do trabalho».
A vulnerabilidade acrescida dos trabalhadores imigrantes
Embora os abusos laborais não se limitem aos trabalhadores imigrantes, existe um conjunto de fatores estruturais que colocam estes trabalhadores numa posição de maior vulnerabilidade no setor alimentar.
Segundo Marcos Rebocho, coordenador do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Alimentar (STIAC), as «barreiras linguísticas, o desconhecimento da legislação laboral, o isolamento social» e a dificuldade em compreender contratos e horários contribuem para que muitos aceitem tarefas e condições que não seriam exigidas a outros
trabalhadores.
Marcos acrescenta que «para muitos trabalhadores imigrantes, o emprego é também determinante para a regularização da sua situação no país, o que reforça o poder do empregador e aprofunda o desequilíbrio na relação laboral, dificultando a denúncia de abusos e criando um ambiente propício à exploração.»
«Importa deixar claro que a imigração não é o problema», salienta Marcos. «O problema é um modelo que tolera a violação sistemática de direitos no setor alimentar, colocando pressão sobre os trabalhadores mais vulneráveis».
Exploração animal, exploração humana
A produção de frango é hoje um dos setores mais intensivos do sistema alimentar em Portugal. Segundo o Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), a produção de frango tem aumentado significativamente desde o início deste século, representando hoje cerca de 80% da carne de aves produzida no país. Milhões de frangos são criados, transportados e abatidos todos os anos para consumo humano, num modelo que privilegia a eficiência acima do bem-estar animal e humano.
Nesta escala industrial, as práticas que tornam possível essa eficiência, criam também um ambiente onde a violência é normalizada. «Muitas vezes vimos os frangos a morrer», contam Joel e Tiago, «às vezes morrem na tua mão». Quando pergunto como é que se sentiam quando isso acontecia, começam-se a rir. Mas os risos dão rapidamente lugar a um silêncio pesado. «Por acaso era muito duro», admitem.
Com o tempo, o impacto emocional esbate-se. «Uma pessoa vai perdendo o medo», dizem. O choque inicial dá lugar à habituação. Numa indústria onde a rapidez e a desconexão emocional são essenciais, não há espaço para emoções complicadas, não há espaço para lidar com o sofrimento, nem dos animais, nem das pessoas que os matam por nós.
Acerca dos trabalhadores imigrantes e portugueses, Marcos dizia que «sempre que se aceita a exploração de uns, abre-se caminho à degradação generalizada das condições de trabalho» de todos. Assim, talvez não surpreenda que, numa indústria onde se normaliza a exploração e o sofrimento animal, se ignore igualmente a exploração humana.
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ONG Frente Animal desmente indústria suinícola: Quinta da Granja não é um caso isolado
INVESTIGAÇÃO NA INDÚSTRIA SUINÍCOLA
- Frente Animal
A Frente Animal classifica a suspensão dos certificados FILPORC como uma manobra de gestão de danos para proteger a reputação do setor contra novas denúncias.
A organização não governamental Frente Animal coloca em causa as recentes declarações da FILPORC e da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), que quer convencer os consumidores que os maus-tratos e condições insalubres na suinicultura Quinta da Granja (Euroeste – ValGrupo), divulgados no programa Prova dos Factos da RTP, são um mero “caso isolado” ou que não representam o sector.
Logo após a divulgação destas imagens, a Organização Interprofissional da Fileira da Carne de Porco (Filporc) suspendeu a certificação de bem-estar animal de todas as empresas, a nível nacional, alegando que as tempestades tornaram inviável a sua manutenção e que são necessárias novas visitas de organismos auditores. E a empresa proprietária da Quinta da Granja, a Euroeste, alegou que a exploração em causa sofreu “danos significativos” com a tempestade Kristin, assim procurando justificar as más condições encontradas.
Provas diversas desmentem a tese das “tempestades”. Ao contrário do alegado pela FILPORC, as provas fotográficas e de vídeo recolhidas pela investigação não são fruto de intempéries recentes. A maioria das gravações divulgadas pela Prova dos Factos foi realizada entre os dias 18 e 21 de janeiro de 2026, período em que as instalações da Quinta da Granja já apresentavam danos estruturais profundos, acumulação extrema de dejetos e graves falhas sanitárias.
Note-se que a época de tempestades (Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, entre outras) apenas atingiu Portugal a partir de 22 de janeiro, prolongando-se até 8 de fevereiro. De acordo com o porta-voz da Frente Animal, Nuno Alvim, “é, portanto, enganador tentar imputar aos fenómenos climatéricos uma negligência que é, na verdade, sistémica e anterior aos fenómenos meteorológicos”.
A falácia da “forte regulamentação”
A Frente Animal questiona: se o setor é, como afirma David Neves, presidente da FPAS, “altamente regulado e fiscalizado”, como é admissível que uma exploração pertencente a um dos maiores grupos económicos do setor de produção de carne de porco (VALGRUPO) apresente este cenário de canibalismo e cadáveres em decomposição? “Onde estava a “forte regulamentação” e a fiscalização da DGAV enquanto estes animais sofriam sem assistência?” – questiona Nuno Alvim, presidente da associação. O que este caso demonstra não é o rigor do sector, mas sim a completa falência dos mecanismos de controlo oficial.
Não é um caso isolado
Este cenário não representa uma exceção. Já em 2025 chegaram à atenção da ONG Frente Animal imagens de outras unidades suinícolas na região centro com graves problemas sanitários e de bem-estar animal, através de uma denúncia anónima de um grupo de investigadores internacionais.
Em algumas dessas filmagens é possível observar suínos em sofrimento extremo, várias ratazanas dentro dos pavilhões e até gatos silvestres a alimentar-se de animais em decomposição, no exterior.
A tentativa da indústria de isolar este escândalo ignora um histórico documentado de incumprimentos que a ONG Frente Animal tem vindo a denunciar.
Suspensão de certificados: Gestão de danos ou admissão de culpa?
Para a Frente Animal, a suspensão apressada da certificação FILPORC para as empresas afetadas é uma manobra de gestão de danos reputacionais.
“Estamos perante uma tentativa desesperada de ‘fugir com o rabo entre as pernas’ para evitar que novas imagens venham a público e destruam por completo a confiança dos consumidores nos selos de bem-estar animal”, afirma Nuno Alvim, porta-voz da Frente Animal.
“Ao suspenderem os certificados a nível nacional, a FILPORC e a FPAS estão, implicitamente, a admitir que o problema é transversal e que, se as auditorias forem sérias, infrações graves dos direitos animais serão encontradas em muitas outras produções”.
A Frente Animal reitera o seu pedido de intervenção urgente das autoridades e a revogação definitiva, e não apenas suspensão temporária, das licenças e selos de bem-estar de empresas que estejam a lucrar com o sofrimento animal sistémico. Até ao momento, a organização já registou mais de 1.700 denúncias feitas por consumidores às autoridades.
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Em Leiria, um mega-aviário da Lusiaves foi aprovado contra a vontade (e a saúde) da população. Porquê?
MEGA-AVIÁRIO CONTRA A VONTADE DA POPULAÇÃO
- Sara Salgado
Leiria prepara-se para acolher uma das maiores explorações avícolas da Europa. A autorização para este projeto do grupo Lusiaves foi concedida apesar da forte oposição da população local, revelando um processo de avaliação ambiental que levanta graves suspeitas de manipulação política e económica.
Ao chegar a Monte Redondo, por entre uma longa estrada acompanhada de pinheiros e azinheiras, é impossível não ser apanhado de surpresa com uma mini réplica da Torre Eiffel que atinge os 11 metros de altura. Mas esta está longe de ser a maior surpresa nesta pequena e sossegada zona de Leiria. Basta seguirmos em frente uns quilómetros para encontrarmos uma fábrica da Racentro, empresa do grupo Lusiaves, situada ao lado de onde será construído um dos maiores aviários da Europa.
Este projeto consiste na expansão de um aviário que já existe no local, também ele do grupo Lusiaves, estimando-se uma produção anual de mais de 4.5 milhões de frangos, cerca de 19 vezes a produção atual. Para uma freguesia pequena como a de Monte Redondo, a dimensão deste projeto criou na população grandes receios sobre o seu impacto na saúde pública, ambiente e qualidade de vida.
Neste sentido, durante o processo de consulta pública, mais de 500 pessoas manifestaram-se contra o projeto na plataforma Participa.pt e quase 2500 assinaram uma petição lançada pela Frente Unida, associação que se formou com moradores das freguesias afetadas.
Para além disso, a União de freguesias de Monte Redondo e Carreira, a de Coimbrão, e o município de Leiria emitiram pareceres desfavoráveis ao projeto, sublinhando os impactos cumulativos numa zona já saturada de explorações agropecuárias.
As preocupações com a saúde
Uma questão que preocupa a população é o consumo de água. Pelos cálculos realizados pela associação Frente Unida, “só o aviário vai gastar mais água do que toda a população junta”, para além do risco que existe de contaminação das águas. Isto é especialmente alarmante numa zona que já é afetada regularmente por falta de água.
No entanto, é a emissão de amoníaco que mais preocupa a população. O nariz humano começa a detetar o amoníaco – o cheiro forte a galinheiro – a partir das 5 ppm (partes por milhão), momento em que já está a ser prejudicial à saúde humana.
Um morador partilha que “em vários dias do mês, temos aqui cheiros que são muito agressivos e desagradáveis”, com a concentração de amoníaco a variar entre as 5 e as 20 ppm. Se o mega-aviário da Lusiaves avançar, as áreas próximas poderão alcançar as 100 ppm de amoníaco, tornando a população ainda mais vulnerável às doenças respiratórias e cardiovasculares causadas por este químico.
Assim, levanta-se a questão: Como é possível que um projeto com estes potenciais efeitos negativos na saúde da população tenha sido aprovado apesar da forte contestação local?
(Cheira a) um processo de avaliação ambiental duvidoso
Qualquer projeto público ou privado que possa produzir efeitos significativos no ambiente, é obrigatoriamente sujeito a uma avaliação de impacte ambiental. Neste processo, é nomeada uma comissão de avaliação, que se encarrega não só por avaliar a dimensão destes efeitos ambientais, mas também “garantir a participação pública e a consulta dos interessados na formação de decisões que lhes digam respeito, privilegiando o diálogo e o consenso”, algo que a população não sente que aconteceu.
O processo de avaliação ambiental deste projeto, atribuído à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), foi alvo de escrutínio por parte da associação Frente Unida, que apontou “falhas graves” e “dúvidas quanto à sua independência técnica e imparcialidade”.
Entre as falhas graves apontadas pela Frente Unida, destaca-se a falta de qualidade do estudo de impacto ambiental (EIA) apresentado, afirmando que este incluía “erros básicos de copy-paste” e “dados que nem tinham a ver com criação de frangos”. Segundo os cálculos e estudos que a associação apresentou, o EIA subestimou gravemente os impactos que o mega-aviário poderia ter na população.
“O pior de tudo isto”, adiciona a Frente Unida, “foi descobrir que os autores do EIA trabalham ou trabalharam para a Lusiaves. Não eram independentes”, tal como requerem as normas legais nacionais e europeias. Na sua perspetiva, isto “levanta dúvidas sobre a ausência de conflito de interesses e imparcialidade do estudo”.
As provas deste conflito de interesses, bem como os links das referências científicas do parecer técnico da Frente Unida, foram removidas do parecer final da CCDRC, levando a associação a sentir-se indignada pelo que considera uma “clara tentativa de manipulação” da informação.
ACOMPANHA ESTE CASO
E ajuda-nos a travar a expansão deste aviário, subscrevendo abaixo para mais novidades.
CCDRC, PSD e Lusiaves: Um triângulo de manipulação política e económica?
Se há algo que se destaca ao entrevistar os moradores de Monte Redondo, é o facto de quase todos terem pedido anonimato. Só após se desligarem as câmaras e os gravadores, é que partilham, ainda com receio, as suas suspeitas relativamente à manipulação política e económica que acreditam estar por detrás da aprovação deste projeto.
Os primeiros indícios de influência política surgem nas medidas compensatórias apresentadas pela CCDRC para mitigar os impactos da expansão do aviário. Estas medidas – a requalificação da lagoa da Ervedeira e das salinas da Junqueira – surgem sem qualquer justificação e coincidem com propostas do governo de oposição de Leiria (PSD), que esteve, desde sempre, a favor deste projeto da Lusiaves.
As suspeitas de influência política devem-se ao facto de três das cinco pessoas na presidência da CCDRC terem ligações diretas ao PSD, incluíndo a atual presidente, Isabel Damasceno, que foi presidente da Câmara Municipal de Leiria pelo PSD durante 11 anos.
Estas ligações da CCDR com o PSD são relevantes uma vez que o maior financiador da campanha política de 2021 deste partido foi Avelino da Mota Francisco Gaspar, o dono da Lusiaves. Assim, levantam-se suspeitas de que Avelino Gaspar possa ter influenciado a decisão da CCDRC em aprovar o mega-aviário.
Para reforçar estas suspeitas, descobriu-se que, em junho deste ano, dois meses após o projeto ter sido aprovado, o Grupo Lusiaves fez uma doação de mais de 200 mil euros à Unidade Local de Saúde de Leiria. O administrador hospitalar desta unidade – Manuel José Santos Carvalho – já foi deputado municipal pelo PSD.
Esta informação por si só poderia ser irrelevante, não fosse o facto desta unidade de saúde ter sido nomeada pela CCDRC para pertencer à comissão de avaliação ambiental do projeto, tendo ficado responsável por avaliar os impactos da expansão do aviário na saúde humana.
Como é possível que a população local confie numa entidade que afirma que a expansão do aviário da Lusiaves terá efeitos “pouco significativos” na sua saúde, quando essa entidade recebe uma doação de mais de 200 mil euros do próprio dono da Lusiaves?
“Contra o lucro privado à custa do nosso futuro”
A população manifesta a sua falta de confiança neste processo, e exige que a sua voz seja ouvida. “Exigimos que a saúde, o ambiente e a segurança sejam prioridade, e não os interesses e a otimização de lucros de uma empresa privada”, dizem os membros da associação Frente Unida.
Por isso, no final de julho de 2025, avançaram com uma solicitação formal de revisão e suspensão da aprovação do projeto, bem como de uma auditoria externa independente para se avaliarem corretamente os impactos da expansão do aviário no ambiente e na saúde da população.
A população local está determinada em não deixar que este projeto avance, e prometem fazer tudo ao seu alcance para reverter a decisão da sua aprovação. “Este projeto põe em risco a saúde dos nossos filhos, o ar que respiramos, a água que bebemos. Se não reagirmos agora, vamos deixar uma herança de poluição e doenças para as próximas gerações.”
as consequências para os animais
A aprovação deste mega-aviário levanta também sérias preocupações no que toca aos direitos dos animais. Em 2025, a LUSIAVES foi denunciada pela Frente Animal por práticas de crueldade animal em vários dos seus aviários, tendo perdido o certificado welfair de bem-estar animal, como consequência. Se estas práticas são comuns em aviários de escala mais pequena, o que se pode esperar que aconteça aos animais se este mega-aviário for aprovado?
Precisamos de travar a expansão deste aviário. Pelo ambiente, pela saúde das pessoas, pelos animais!
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