A NOSSA MISSÃO

A Frente Animal existe para dar a conhecer a vida dos animais que vivem na sombra do nosso sistema alimentar, a fim de envolver os decisores políticos na melhoria da sua proteção e do seu estatuto moral.

É altura de trazer os interesses destes animais para primeiro plano!

EXPLORAÇÃO INDUSTRIAL DE ANIMAIS,
uma máquina de sofrimento

É POSSÍVEL
REDUZIR O SOFRIMENTO DOS ANIMAIS
ATRAVÉS DE PEQUENAS MUDANÇAS.

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EDUCAÇÃO
SUBSTITUIÇÃO
Dar um passo em frente, com uma mudança de cada vez
Empoderar as pessoas que se preocupam
Diminuir a dependência de animais
  • Investigação sobre a produção animal em Portugal e exposição das práticas actuais.
  • Produção e compilação de conhecimento sobre o sector da pecuária
  • Elaboração de recomendações políticas e empresariais
  • Campanhas educativas sobre o tratamento ético dos animais de criação
  • Divulgação de conhecimentos científicos sobre a senciência dos animais
  • Promoção de alternativas ao consumo de proteínas animais
  • Promover o desenvolvimento de tecnologias que substituam os animais ou reduzam o seu sofrimento

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A forma como ensinamos as crianças a olhar para os animais influencia diretamente a nossa sociedade, mas estaremos realmente a educar para a empatia ou para a indiferença perante a crueldade animal?

A empatia como motor-chave de mudança social e política

A forma como ensinamos as crianças a olhar para os animais influencia diretamente a nossa sociedade, mas estaremos realmente a educar para a empatia ou para a indiferença perante a crueldade animal?

ARTIGO DA DRA. ANABELA CASTRO

DRA. ANABELA CASTRO
Psicóloga e membro dos órgãos sociais da Frente Animal
 

Mãe e ativista, atualmente exerce funções de coordenação técnica de projetos nas áreas da juventude e da saúde.

Acredita que todos temos um papel importante na construção de um mundo mais livre, justo e consciente, onde a empatia é essencial para garantir o bem-estar de todos os seres, seja através da educação, da arte, da ciência, da política ou do ativismo.

 

A forma como aprendemos e ensinamos a olhar os animais

As crianças desenvolvem uma conexão natural com outros seres e espécies animais. Somos nós, adultos, que muitas vezes contribuímos para minimizar a nobreza e genuinidade dessa conexão, implantando medos e receios nas vivências dos mais novos, adultos sustentados na sua própria desconexão e desconhecimento sobre outras espécies. O desconhecimento gera medo e o medo gera insegurança e segregação, ao contrário do conhecimento, que gera entendimento, empatia e respeito. É assim, com pessoas, é assim com animais. Nesse desconhecimento, projetam-se experiências pessoais nos mais jovens, perpetuando ciclos de aprendizagem que podem afastar as crianças da sua natureza humana empática.

Quando culturalmente ou através da educação, contamos histórias que adjetivam negativamente os animais, transmitindo histórias do “lobo mau”, ou quando ensinamos músicas infantis como “atirei o pau ao gato”, estamos, através da nossa condição de adultos, educadores e modelos de referência, a perpetuar irresponsável e acriticamente, uma narrativa de medo e desrespeito pela vida dos animais, que impacta na forma como os vemos e tratamos.

A ausência de empatia dos adultos e da sociedade, alimentada por falta de legislação e judicialização eficientes, são o solo fértil para casos tão graves como o do cão Orelha, que espelha realidades diárias de tortura e falta de limites educativos, sociais e legais.

Neste mundo de rápida mudança, as redes sociais e as plataformas digitais ocupam muito do tempo dos mais jovens (e menos jovens também), mostrando o seu impacto potencialmente severo na modelação de muitos dos comportamentos, nomeadamente quando alienam as pessoas da vida real, e assentam a sua existência em conteúdos de violência em que prevalece o entretenimento sem verdadeira regulação e fiscalização. Nestes cenários, criam-se as condições para que o foco passe a assentar nos prémios virtuais, na visibilidade e reforço dos likes, na validação por parte de grupos que impõe os seus interesses, mas que se desconhecem na vida real, aliados a ganhos económicos que se sobrepõe de forma bárbara à vida de outras pessoas e animais.

A violência nunca é um ato isolado

A correlação entre o tratamento dado aos animais e a violência ou comportamento contra outros seres humanos, é amplamente documentada pela criminologia, pela psicologia e outras ciências sociais. A literatura cientifica demonstra que a crueldade contra animais é frequentemente um indicador de comportamentos relacionados com a violência doméstica, o abuso infantil e outras formas de comportamento antissocial.

Em 2016, o FBI (Federal Bureau of Investigation) incluiu os maus-tratos a animais no seu banco de dados de crimes como “crimes contra a sociedade”, reconhecendo a sua conexão com outros crimes violentos. A teoria conhecida como “Violence Graduation Hypothesis” (Teoria de Graduação da Violência), indica que os agressores frequentemente começam por ferir animais antes de evoluírem para crimes contra humanos. Também a teoria do “Elo Ignorado” indica haver maior risco de crianças se tornarem agressoras quando expostas a abuso de animais ou em situações em que tenham cometido atos de crueldade em tenra idade, demonstrando o impacto real do ciclo intergeracional de violência.

A revisão de diversos estudos confirma que a crueldade recorrente a animais na infância/adolescência é um preditor muito significativo de violência interpessoal na vida adulta. O tratamento dos animais não é, pois, um ato isolado, mas sempre um reflexo da empatia, do controle de impulsos, da permissividade das leis, da educação e da propensão à violência de alguns indivíduos, devendo ser encarado seriamente enquanto preditor de risco de violência humana.

Num momento tão crítico da nossa história coletiva, a empatia deve ser, tem de ser, um desígnio político, um compromisso de desenvolvimento social e humano, um compromisso educativo principalmente quando os interesses económicos ou ideológicos de muitos, assentam numa visão do mundo segregador, ausente de qualquer sentido de respeito e compaixão.

Empatia pode ser descrita como a capacidade de se colocar no lugar de outro ser vivo, de compreender o que sente esse ser vivo, e ter a capacidade de ajudar perante o seu sofrimento. É compreender sem julgar, criando uma conexão afetiva e com ela, agir para ajudar. é por isso, uma das competências mais importantes para o desenvolvimento social e humano, porque derruba barreiras, combate o ódio e a discriminação, promove o altruismo em vez do egoísmo.

Qualquer pessoa que tenha convivido com animais, reconhece as suas personalidades únicas, e sabe que eles são capazes de fazerem escolhas, de se conectarem connosco e com outras espécies, de sentirem dor, frio, medo e fome, mas também alegria, confiança, afetuosidade e segurança. A própria evidência científica revela, através da Declaração de Cambridge sobre a Consciência, assinada em 2012, na Universidade de Cambridge, que animais não humanos têm substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos dos estados de consciência, juntamente com a capacidade de exibir comportamentos intencionais, que evidenciam que os seres humanos não são os únicos a possuir os substratos neurológicos que geram consciência. Animais não humanos, incluindo todos os mamíferos e aves, e muitas outras criaturas, incluindo os polvos, também possuem esses substratos neurológicos. Esta Declaração científica foi validada e assinada por um grupo internacional de especialistas das áreas de neurociência cognitiva, neurofarmacologia, neurofisiologia, neuroanatomia e neurociência computacional.

Educar para uma sociedade mais conscientE

Perante todos estes cenários, é preciso garantir que ao longo de todo o percurso educativo e social das crianças e jovens, particularmente nas faixas etárias mais precoces, o país está comprometido e decidido a educar para a empatia, com todos, pessoas e animais, gerando cidadãos mais conscientes, empáticas, responsáveis, críticos e ativos na defesa dos/as mais vulneráveis. Enquanto educadores, políticos ou sociedade civil, precisamos rever os conteúdos e práticas educativas que têm atravessado gerações, adequando-os aos propósitos de sociedades e culturas do século XXI, ao conhecimento científico atual e ao direito pelo respeito e dignidade de todas as formas de vida.

Alguns países já compreenderam a importância de educarmos a sociedade para a empatia e para o respeito por todos os seres vivos. A Dinamarca tem-se destacado na implementação formal de educação para a empatia, tendo-a incluído no currículo escolar obrigatório desde 1993. Neste país, crianças dos 6 aos 16 anos participam semanalmente na “Klassens tid” – “A Hora da Empatia”, um espaço dedicado ao debate de problemas, diálogo de sentimentos e conflitos, que inclui o respeito pelos animais e a convivência saudável entre todos. A empatia é valorizada ao mesmo nível que outras disciplinas, como a matemática ou literatura. Também em países como a Finlândia, Noruega, Suécia, França e Reino Unido, é dado um foco essencial ao bem-estar sócio emocional, desenvolvendo “aulas de empatia” ou integrando esta vertente no currículo escolar, promovendo o respeito, a autoestima, bondade, respeito e bem-estar animal em crianças e adolescentes. Estas abordagens de educação visam formar cidadãos mais conscientes e reduzir a violência contra todos os seres.

Outros países, encontram-se a definir alterações legislativas fundamentais e promissoras de um mundo mais justo e ético, particularmente através da aprovação de uma Lei de Empatia, como é o recente caso da Colômbia. Não faltam bons exemplos de governos que já entenderam a necessidade de promover um princípio tão essencial como a empatia e respeito por todos os seres e pela natureza, reforçando a consolidação de uma visão mais humanitária e não violenta em todos os contextos.

Não há dúvida de que precisamos de caminhar urgentemente para um mundo sustentado na educação para a empatia, no desenvolvimento de políticas que fomentem o respeito e conexão com a natureza, no desenvolvimento de uma visão da ciência que saia do seu quadro de leitura profundamente antropocêntrico, para integrar verdadeiramente um conhecimento ecocêntrico e uma visão humanista da sociedade.

Este deve ser o desafio político, educativo e económico também em Portugal.

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Uma indústria que abate 8000 frangos por hora trata os seus trabalhadores praticamente da mesma forma: como máquinas descartáveis. Turnos de 14 horas, ameaças constantes, pausas negadas para urinar, contratos falsificados — tudo tolerado em silêncio porque "uma pessoa precisa do emprego". 

O custo humano da indústria animal – Reportagem Frente Animal

“Não nos veem como seres humanos”: O abuso dos trabalhadores imigrantes na indústria do frango

 

 

Uma indústria que abate 8000 frangos por hora trata os seus trabalhadores praticamente da mesma forma: como máquinas descartáveis. Turnos de 14 horas, ameaças constantes, pausas negadas para urinar, contratos falsificados — tudo tolerado em silêncio porque “uma pessoa precisa do emprego”. 

Os dias de Joel e Tiago*, dois jovens imigrantes em Portugal, começam cedo. De segunda a sexta-feira, o despertador toca às 3 horas da manhã para que consigam chegar ao local de trabalho antes das 4h30, hora em que começam a trabalhar. Quanto à hora de saída, essa não é certa. «Podemos sair às 6 da tarde», diz Joel, «nunca sabemos a que horas vamos sair.»

No centro de abate onde trabalham, na zona de Viseu, os horários excessivos são uma realidade diária. Durante o dia de trabalho, que pode durar mais de 14 horas, os trabalhadores têm direito a apenas 15 minutos de intervalo para o pequeno almoço, e 30 minutos para o almoço. «Já vi pessoas que tiveram congestão no trabalho por nos pressionarem a comer depressa», partilha Tiago.

Estes ritmos excessivos estão inseridos numa indústria que se caracteriza por velocidade e eficiência. Em Portugal, os centros de abate de aves relatam abater cerca de 6000 a 8000 frangos por hora, ou seja, 100 a 133 frangos por minuto. O que os centros de abate não relatam é a pressão e o desgaste físico e psicológico das pessoas que realizam este trabalho.

Joel conta que, no centro onde trabalha, os gritos e as ameaças são constantes. Se estiverem a trabalhar a um «ritmo de trabalho normal», os supervisores gritam «acelera, acelera, mexe as mãos, car*lho.» Muitas vezes, até os pedidos para urinar são negados. «Eles querem que uma pessoa seja uma máquina», acrescenta, «não nos veem como seres humanos.»

Imagem de Milos Bicanski - We Animals Media

A realidade da indústria para além dos matadouros

Esta pressão física e psicológica sobre os trabalhadores não acontece apenas na linha de abate. Muito antes dos frangos chegarem ao matadouro, é preciso criá-los para que alcancem o tamanho e o peso desejado.

Alice, uma ex-trabalhadora brasileira de uma quinta de produção de frangos em Leiria, conta-nos que no primeiro dia de trabalho achou «que ia desmaiar», porque trabalhou «sem pausas, sem comer e sem beber, das 7 da manhã até às 14h», sendo que o dia de trabalho terminava apenas às 17 horas.

Alice foi contratada através de uma agência de emprego para realizar a limpeza dos pavilhões. Na realidade, acabou por ser forçada a realizar trabalho de quinta, mas sentia que não podia reclamar por ter medo do “engenheiro”. «Os chefes eram chamados de “engenheiro”, cada quinta tem o seu», diz Alice, explicando que estes são os responsáveis por delegar as tarefas nas quintas. «Todos tinham medo do tal engenheiro» e «escondiam-se quando o viam na quinta», partilha.

Em fevereiro de 2025, uma investigação jornalística da RTP revelou práticas semelhantes de pressão psicológica sobre os trabalhadores da indústria do frango, incluindo relatos de pessoas forçadas a matar frangos à paulada contra a sua vontade. Segundo a reportagem, alguns trabalhadores chegaram mesmo a ser ameaçados de despedimento caso se recusassem a realizar essas tarefas.

Alice admite ter passado por uma situação semelhante. Essa pressão psicológica
constante, aliada à intensidade «desumana» do trabalho, tornaram este trabalho muito desgastante para si. «Era muito difícil», partilha, mas «eu precisava de emprego porque vim com a minha família, não podia reclamar.»

Imagem de Andrew Skowron - We Animals Media

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Abusos laborais e o silêncio por necessidade

Não aconteceu apenas com Alice a realidade do trabalho não corresponder ao descrito no contrato. «As informações estão completamente distorcidas», diz Joel enquanto aponta com frustração para o contrato de trabalho que assinou.

Lá, encontra-se descrito que o seu horário é das 6 às 15 horas, de segunda a sexta-feira, com pausa de uma hora para almoço. Na realidade, Joel e Tiago entram sempre às 4h30, nunca trabalharam menos de 10 horas, e têm apenas 45 minutos de descanso. Muitas vezes, são obrigados a trabalhar aos fins-de-semana e feriados, e já foram ameaçados de despedimento por quererem recusar. «Nós aguentamos isso tudo só por causa da necessidade», desabafa Joel.

Segundo os artigos 227º e 228º do Código de Trabalho, só podem ser exigidas horas extra aos funcionários em situações muito específicas, como quando existe um acréscimo inesperado de trabalho que não justifique a contratação de outro trabalhador, e apenas até a um máximo de 2 horas num dia de trabalho normal. A violação destes termos, como descrito nos respetivos artigos, «constitui uma contra-ordenação muito grave».

«Eles aproveitam-se muito das pessoas não saberem [os seus direitos]», diz Joel,acrescentando que os abusos laborais no seu local de trabalho são uma realidade transversal a trabalhadores imigrantes e portugueses.

Helena, uma ex-trabalhadora portuguesa de um centro de abate da Lusiaves, sentia que o trabalho «era um bocado escravatura», mas que «uma pessoa acaba por se calar porque precisa do trabalho».

A vulnerabilidade acrescida dos trabalhadores imigrantes

Embora os abusos laborais não se limitem aos trabalhadores imigrantes, existe um conjunto de fatores estruturais que colocam estes trabalhadores numa posição de maior vulnerabilidade no setor alimentar.

Segundo Marcos Rebocho, coordenador do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Alimentar (STIAC), as «barreiras linguísticas, o desconhecimento da legislação laboral, o isolamento social» e a dificuldade em compreender contratos e horários contribuem para que muitos aceitem tarefas e condições que não seriam exigidas a outros
trabalhadores.

Marcos acrescenta que «para muitos trabalhadores imigrantes, o emprego é também determinante para a regularização da sua situação no país, o que reforça o poder do empregador e aprofunda o desequilíbrio na relação laboral, dificultando a denúncia de abusos e criando um ambiente propício à exploração.»

«Importa deixar claro que a imigração não é o problema», salienta Marcos. «O problema é um modelo que tolera a violação sistemática de direitos no setor alimentar, colocando pressão sobre os trabalhadores mais vulneráveis».

Imagem de Milos Bicanski - We Animals Media

Exploração animal, exploração humana

A produção de frango é hoje um dos setores mais intensivos do sistema alimentar em Portugal. Segundo o Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), a produção de frango tem aumentado significativamente desde o início deste século, representando hoje cerca de 80% da carne de aves produzida no país. Milhões de frangos são criados, transportados e abatidos todos os anos para consumo humano, num modelo que privilegia a eficiência acima do bem-estar animal e humano.

Nesta escala industrial, as práticas que tornam possível essa eficiência, criam também um ambiente onde a violência é normalizada. «Muitas vezes vimos os frangos a morrer», contam Joel e Tiago, «às vezes morrem na tua mão». Quando pergunto como é que se sentiam quando isso acontecia, começam-se a rir. Mas os risos dão rapidamente lugar a um silêncio pesado. «Por acaso era muito duro», admitem.

Com o tempo, o impacto emocional esbate-se. «Uma pessoa vai perdendo o medo», dizem. O choque inicial dá lugar à habituação. Numa indústria onde a rapidez e a desconexão emocional são essenciais, não há espaço para emoções complicadas, não há espaço para lidar com o sofrimento, nem dos animais, nem das pessoas que os matam por nós.

Acerca dos trabalhadores imigrantes e portugueses, Marcos dizia que «sempre que se aceita a exploração de uns, abre-se caminho à degradação generalizada das condições de trabalho» de todos. Assim, talvez não surpreenda que, numa indústria onde se normaliza a exploração e o sofrimento animal, se ignore igualmente a exploração humana.

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Numa decisão de grande relevância para a defesa dos consumidores e do bem-estar animal, o Tribunal da Relação do Porto (TRP) rejeitou o recurso do Pingo Doce, confirmando que a liberdade de informação prevalece sobre os interesses comerciais da marca. A decisão judicial valida a continuidade da campanha “Fim do Doce”, garantindo que a realidade sobre os métodos de produção animal não seja ocultada do debate público.

ONG Frente Animal desmente indústria suinícola: Quinta da Granja não é um caso isolado

INVESTIGAÇÃO NA INDÚSTRIA SUINÍCOLA

A Frente Animal classifica a suspensão dos certificados FILPORC como uma manobra de gestão de danos para proteger a reputação do setor contra novas denúncias.

A organização não governamental Frente Animal coloca em causa as recentes declarações da FILPORC e da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), que quer convencer os consumidores que os maus-tratos e condições insalubres na suinicultura Quinta da Granja (Euroeste – ValGrupo), divulgados no programa Prova dos Factos da RTP, são um mero “caso isolado” ou que não representam o sector.

Logo após a divulgação destas imagens, a Organização Interprofissional da Fileira da Carne de Porco (Filporc) suspendeu a certificação de bem-estar animal de todas as empresas, a nível nacional, alegando que as tempestades tornaram inviável a sua manutenção e que são necessárias novas visitas de organismos auditores. E a empresa proprietária da Quinta da Granja, a Euroeste, alegou que a exploração em causa sofreu “danos significativos” com a tempestade Kristin, assim procurando justificar as más condições encontradas.

Provas diversas desmentem a tese das “tempestades”. Ao contrário do alegado pela FILPORC, as provas fotográficas e de vídeo recolhidas pela investigação não são fruto de intempéries recentes. A maioria das gravações divulgadas pela Prova dos Factos foi realizada entre os dias 18 e 21 de janeiro de 2026, período em que as instalações da Quinta da Granja já apresentavam danos estruturais profundos, acumulação extrema de dejetos e graves falhas sanitárias. 

Note-se que a época de tempestades (Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, entre outras) apenas atingiu Portugal a partir de 22 de janeiro, prolongando-se até 8 de fevereiro. De acordo com o porta-voz da Frente Animal, Nuno Alvim, “é, portanto, enganador tentar imputar aos fenómenos climatéricos uma negligência que é, na verdade, sistémica e anterior aos fenómenos meteorológicos”.

A falácia da “forte regulamentação” 

A Frente Animal questiona: se o setor é, como afirma David Neves, presidente da FPAS, “altamente regulado e fiscalizado”, como é admissível que uma exploração pertencente a um dos maiores grupos económicos do setor de produção de carne de porco (VALGRUPO) apresente este cenário de canibalismo e cadáveres em decomposição? “Onde estava a “forte regulamentação” e a fiscalização da DGAV enquanto estes animais sofriam sem assistência?” – questiona Nuno Alvim, presidente da associação. O que este caso demonstra não é o rigor do sector, mas sim a completa falência dos mecanismos de controlo oficial.

Não é um caso isolado 

Este cenário não representa uma exceção. Já em 2025 chegaram à atenção da ONG Frente Animal imagens de outras unidades suinícolas na região centro com graves problemas sanitários e de bem-estar animal, através de uma denúncia anónima de um grupo de investigadores internacionais. 

Em algumas dessas filmagens é possível observar suínos em sofrimento extremo, várias ratazanas dentro dos pavilhões e até gatos silvestres a alimentar-se de animais em decomposição, no exterior.

A tentativa da indústria de isolar este escândalo ignora um histórico documentado de incumprimentos que a ONG Frente Animal tem vindo a denunciar.

Suspensão de certificados: Gestão de danos ou admissão de culpa? 

Para a Frente Animal, a suspensão apressada da certificação FILPORC para as empresas afetadas é uma manobra de gestão de danos reputacionais.

“Estamos perante uma tentativa desesperada de ‘fugir com o rabo entre as pernas’ para evitar que novas imagens venham a público e destruam por completo a confiança dos consumidores nos selos de bem-estar animal”, afirma Nuno Alvim, porta-voz da Frente Animal

“Ao suspenderem os certificados a nível nacional, a FILPORC e a FPAS estão, implicitamente, a admitir que o problema é transversal e que, se as auditorias forem sérias, infrações graves dos direitos animais serão encontradas em muitas outras produções”.

A Frente Animal reitera o seu pedido de intervenção urgente das autoridades e a revogação definitiva, e não apenas suspensão temporária, das licenças e selos de bem-estar de empresas que estejam a lucrar com o sofrimento animal sistémico. Até ao momento, a organização já registou mais de 1.700 denúncias feitas por consumidores às autoridades.

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