O Prémio Jornalístico VERDADE ANIMAL é uma iniciativa que pretende destacar e premiar reportagens jornalísticas publicadas em Portugal que promovam o bem-estar e direitos animais. O prémio totaliza 5.000€.
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A Frente Animal existe para dar a conhecer a vida dos animais que vivem na sombra do nosso sistema alimentar, a fim de envolver os decisores políticos na melhoria da sua proteção e do seu estatuto moral.
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ATRAVÉS DE PEQUENAS MUDANÇAS.
o trabalho QUE A
frente anImal
faz
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EDUCAÇÃO
SUBSTITUIÇÃO
Dar um passo em frente, com uma mudança de cada vez
Empoderar as pessoas que se preocupam
Diminuir a dependência de animais
- Investigação sobre a produção animal em Portugal e exposição das práticas actuais.
- Produção e compilação de conhecimento sobre o sector da pecuária
- Elaboração de recomendações políticas e empresariais
- Campanhas educativas sobre o tratamento ético dos animais de criação
- Divulgação de conhecimentos científicos sobre a senciência dos animais
- Promoção de alternativas ao consumo de proteínas animais
- Promover o desenvolvimento de tecnologias que substituam os animais ou reduzam o seu sofrimento
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progresso
Dar um passo em frente, com uma mudança de cada vez
Investigação sobre a produção animal em Portugal e exposição das práticas actuais.
Produção e compilação de conhecimento sobre o sector da pecuária
Elaboração de recomendações políticas e empresariais
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Empoderar as pessoas que se preocupam
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Em Leiria, um mega-aviário da Lusiaves foi aprovado contra a vontade (e a saúde) da população. Porquê?
MEGA-AVIÁRIO CONTRA A VONTADE DA POPULAÇÃO
- Sara Salgado
Leiria prepara-se para acolher uma das maiores explorações avícolas da Europa. A autorização para este projeto do grupo Lusiaves foi concedida apesar da forte oposição da população local, revelando um processo de avaliação ambiental que levanta graves suspeitas de manipulação política e económica.
Ao chegar a Monte Redondo, por entre uma longa estrada acompanhada de pinheiros e azinheiras, é impossível não ser apanhado de surpresa com uma mini réplica da Torre Eiffel que atinge os 11 metros de altura. Mas esta está longe de ser a maior surpresa nesta pequena e sossegada zona de Leiria. Basta seguirmos em frente uns quilómetros para encontrarmos uma fábrica da Racentro, empresa do grupo Lusiaves, situada ao lado de onde será construído um dos maiores aviários da Europa.
Este projeto consiste na expansão de um aviário que já existe no local, também ele do grupo Lusiaves, estimando-se uma produção anual de mais de 4.5 milhões de frangos, cerca de 19 vezes a produção atual. Para uma freguesia pequena como a de Monte Redondo, a dimensão deste projeto criou na população grandes receios sobre o seu impacto na saúde pública, ambiente e qualidade de vida.
Neste sentido, durante o processo de consulta pública, mais de 500 pessoas manifestaram-se contra o projeto na plataforma Participa.pt e quase 2500 assinaram uma petição lançada pela Frente Unida, associação que se formou com moradores das freguesias afetadas.
Para além disso, a União de freguesias de Monte Redondo e Carreira, a de Coimbrão, e o município de Leiria emitiram pareceres desfavoráveis ao projeto, sublinhando os impactos cumulativos numa zona já saturada de explorações agropecuárias.
As preocupações com a saúde
Uma questão que preocupa a população é o consumo de água. Pelos cálculos realizados pela associação Frente Unida, “só o aviário vai gastar mais água do que toda a população junta”, para além do risco que existe de contaminação das águas. Isto é especialmente alarmante numa zona que já é afetada regularmente por falta de água.
No entanto, é a emissão de amoníaco que mais preocupa a população. O nariz humano começa a detetar o amoníaco – o cheiro forte a galinheiro – a partir das 5 ppm (partes por milhão), momento em que já está a ser prejudicial à saúde humana.
Um morador partilha que “em vários dias do mês, temos aqui cheiros que são muito agressivos e desagradáveis”, com a concentração de amoníaco a variar entre as 5 e as 20 ppm. Se o mega-aviário da Lusiaves avançar, as áreas próximas poderão alcançar as 100 ppm de amoníaco, tornando a população ainda mais vulnerável às doenças respiratórias e cardiovasculares causadas por este químico.
Assim, levanta-se a questão: Como é possível que um projeto com estes potenciais efeitos negativos na saúde da população tenha sido aprovado apesar da forte contestação local?
(Cheira a) um processo de avaliação ambiental duvidoso
Qualquer projeto público ou privado que possa produzir efeitos significativos no ambiente, é obrigatoriamente sujeito a uma avaliação de impacte ambiental. Neste processo, é nomeada uma comissão de avaliação, que se encarrega não só por avaliar a dimensão destes efeitos ambientais, mas também “garantir a participação pública e a consulta dos interessados na formação de decisões que lhes digam respeito, privilegiando o diálogo e o consenso”, algo que a população não sente que aconteceu.
O processo de avaliação ambiental deste projeto, atribuído à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), foi alvo de escrutínio por parte da associação Frente Unida, que apontou “falhas graves” e “dúvidas quanto à sua independência técnica e imparcialidade”.
Entre as falhas graves apontadas pela Frente Unida, destaca-se a falta de qualidade do estudo de impacto ambiental (EIA) apresentado, afirmando que este incluía “erros básicos de copy-paste” e “dados que nem tinham a ver com criação de frangos”. Segundo os cálculos e estudos que a associação apresentou, o EIA subestimou gravemente os impactos que o mega-aviário poderia ter na população.
“O pior de tudo isto”, adiciona a Frente Unida, “foi descobrir que os autores do EIA trabalham ou trabalharam para a Lusiaves. Não eram independentes”, tal como requerem as normas legais nacionais e europeias. Na sua perspetiva, isto “levanta dúvidas sobre a ausência de conflito de interesses e imparcialidade do estudo”.
As provas deste conflito de interesses, bem como os links das referências científicas do parecer técnico da Frente Unida, foram removidas do parecer final da CCDRC, levando a associação a sentir-se indignada pelo que considera uma “clara tentativa de manipulação” da informação.
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CCDRC, PSD e Lusiaves: Um triângulo de manipulação política e económica?
Se há algo que se destaca ao entrevistar os moradores de Monte Redondo, é o facto de quase todos terem pedido anonimato. Só após se desligarem as câmaras e os gravadores, é que partilham, ainda com receio, as suas suspeitas relativamente à manipulação política e económica que acreditam estar por detrás da aprovação deste projeto.
Os primeiros indícios de influência política surgem nas medidas compensatórias apresentadas pela CCDRC para mitigar os impactos da expansão do aviário. Estas medidas – a requalificação da lagoa da Ervedeira e das salinas da Junqueira – surgem sem qualquer justificação e coincidem com propostas do governo de oposição de Leiria (PSD), que esteve, desde sempre, a favor deste projeto da Lusiaves.
As suspeitas de influência política devem-se ao facto de três das cinco pessoas na presidência da CCDRC terem ligações diretas ao PSD, incluíndo a atual presidente, Isabel Damasceno, que foi presidente da Câmara Municipal de Leiria pelo PSD durante 11 anos.
Estas ligações da CCDR com o PSD são relevantes uma vez que o maior financiador da campanha política de 2021 deste partido foi Avelino da Mota Francisco Gaspar, o dono da Lusiaves. Assim, levantam-se suspeitas de que Avelino Gaspar possa ter influenciado a decisão da CCDRC em aprovar o mega-aviário.
Para reforçar estas suspeitas, descobriu-se que, em junho deste ano, dois meses após o projeto ter sido aprovado, o Grupo Lusiaves fez uma doação de mais de 200 mil euros à Unidade Local de Saúde de Leiria. O administrador hospitalar desta unidade – Manuel José Santos Carvalho – já foi deputado municipal pelo PSD.
Esta informação por si só poderia ser irrelevante, não fosse o facto desta unidade de saúde ter sido nomeada pela CCDRC para pertencer à comissão de avaliação ambiental do projeto, tendo ficado responsável por avaliar os impactos da expansão do aviário na saúde humana.
Como é possível que a população local confie numa entidade que afirma que a expansão do aviário da Lusiaves terá efeitos “pouco significativos” na sua saúde, quando essa entidade recebe uma doação de mais de 200 mil euros do próprio dono da Lusiaves?
“Contra o lucro privado à custa do nosso futuro”
A população manifesta a sua falta de confiança neste processo, e exige que a sua voz seja ouvida. “Exigimos que a saúde, o ambiente e a segurança sejam prioridade, e não os interesses e a otimização de lucros de uma empresa privada”, dizem os membros da associação Frente Unida.
Por isso, no final de julho de 2025, avançaram com uma solicitação formal de revisão e suspensão da aprovação do projeto, bem como de uma auditoria externa independente para se avaliarem corretamente os impactos da expansão do aviário no ambiente e na saúde da população.
A população local está determinada em não deixar que este projeto avance, e prometem fazer tudo ao seu alcance para reverter a decisão da sua aprovação. “Este projeto põe em risco a saúde dos nossos filhos, o ar que respiramos, a água que bebemos. Se não reagirmos agora, vamos deixar uma herança de poluição e doenças para as próximas gerações.”
as consequências para os animais
A aprovação deste mega-aviário levanta também sérias preocupações no que toca aos direitos dos animais. Em 2025, a LUSIAVES foi denunciada pela Frente Animal por práticas de crueldade animal em vários dos seus aviários, tendo perdido o certificado welfair de bem-estar animal, como consequência. Se estas práticas são comuns em aviários de escala mais pequena, o que se pode esperar que aconteça aos animais se este mega-aviário for aprovado?
Precisamos de travar a expansão deste aviário. Pelo ambiente, pela saúde das pessoas, pelos animais!
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Liberdade de informar sobre “horror nos aviários” prevalece sobre imagem das marcas
Caso Pingo Doce vs frente animal
- Frente Animal
O Tribunal da Relação do Porto (TRP) decidiu a favor da associação Frente Animal, confirmando que a liberdade de informar sobre as condições de produção animal prevalece sobre os interesses comerciais do Pingo Doce. A decisão permite a continuidade da campanha “Fim do Doce”, que denuncia práticas nos aviários.
Numa decisão de grande relevância para a defesa dos consumidores e do bem-estar animal, o Tribunal da Relação do Porto (TRP) rejeitou o recurso do Pingo Doce, confirmando que a liberdade de informação prevalece sobre os interesses comerciais da marca. A decisão judicial valida a continuidade da campanha “Fim do Doce”, garantindo que a realidade sobre os métodos de produção animal não seja ocultada do debate público.
Os juízes desembargadores confirmaram que o direito de informar os portugueses sobre as condições nos aviários é um pilar da liberdade de expressão que não deve ser cedido a estratégias de marketing. O acórdão refere factos graves validados pela prova produzida, descrevendo aves criadas com excesso de densidade, utilização de antibióticos e animais com “queimaduras e pododermatites por estarem muito tempo em cima das suas fezes”.
A Validação Judicial da Transparência:
- Direito à Denúncia e Liberdade de Expressão: O Tribunal reconheceu que existem indícios que legitimam a atuação da Frente Animal, sublinhando que a associação tem o direito de alertar para o sofrimento animal e para eventuais riscos na segurança alimentar. A decisão reforça que a liberdade de expressão protege informações que possam “chocar ou ofender”, prevalecendo sobre os interesses de imagem da empresa, especialmente quando em causa estão temas de interesse público como o bem-estar animal e a segurança alimentar.
- Condições de Produção: O Tribunal considerou que os factos indiciados apontam para a veracidade das críticas da Frente Animal, mencionando explicitamente que os animais são criados em pavilhões com excesso de densidade, uso de antibióticos e evidenciando “queimaduras e pododermatites por estarem muito tempo em cima das suas fezes”.
- Relevância Pública: O tribunal validou a importância de reportagens de investigação (como o programa “Prova dos Factos” da RTP de fevereiro de 2025) que corroboram as suspeitas de práticas ilegais em dezenas de explorações avícolas no país.
- Inexistência de Prejuízo Comercial: Enquanto o Pingo Doce alegava danos irreparáveis à sua imagem, a decisão judicial destacou que, curiosamente, as vendas da retalhista cresceram em 2024, desconstruindo o argumento de que a campanha estaria a causar um colapso económico à empresa.
“Esta decisão é uma vitória da justiça e do direito à informação. O Tribunal da Relação deixou claro que o prestígio de uma marca não pode silenciar a realidade dos aviários, já antes denunciada televisivamente. Hoje, protegeu-se o direito de cada cidadão saber a origem real dos produtos que consome. A transparência venceu a tentativa de censura,” declara Nuno Alvim, Porta-voz da Associação Frente Animal.
A Frente Animal reitera que continuará a sua missão de vigilância e denúncia, assegurando que o bem-estar animal seja uma prioridade e não apenas uma promessa publicitária.
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Frente Animal lança o Prémio VERDADE ANIMAL – O 1.º prémio de Jornalismo pelos Direitos dos Animais
Candidaturas abertas até 30 de abril de 2026.
- Frente Animal
A Frente Animal, organização sem fins lucrativos dedicada à defesa dos animais, anuncia o lançamento do Prémio de Jornalismo Verdade Animal, uma distinção inédita que pretende reconhecer e premiar trabalhos jornalísticos que contribuam para a sensibilização, investigação e promoção do bem-estar animal em Portugal.
A primeira edição do prémio visa destacar o papel essencial do jornalismo na denúncia de maus-tratos, na divulgação de boas práticas e na construção de uma sociedade mais justa e empática para com todos os seres vivos, assim como histórias e reportagens que promovam a reflexão crítica e debate sobre os animais e a sua relação com os humanos nas várias esferas de coexistência, contribuindo para uma sociedade mais informada sobre este tema.
“O jornalismo tem a responsabilidade de trazer a verdade para a esfera pública e, nesse sentido, assume um papel fundamental na defesa dos direitos dos animais, ao dar visibilidade a histórias que não podem ser ignoradas. Com este prémio, queremos distinguir e valorizar os profissionais que contribuem para dar visibilidade a realidades frequentemente silenciadas”, afirma Joana Machado, responsável pela Comunicação da associação.
Quem pode candidatar-se?
Jornalistas profissionais e/ou freelancers com trabalhos publicados entre 1 de janeiro de 2024 e 15 de abril de 2026, em qualquer meio de comunicação (imprensa escrita, rádio, televisão ou digital), que abordem temáticas relacionadas com os direitos dos animais, sejam eles selvagens, usados na pecuária ou para turismo, os maus-tratos e a exploração animal, em geral.
Critérios de Avaliação
- Rigor jornalístico e profundidade da investigação
- Impacto social do conteúdo
- Originalidade e abordagem ética
- Clareza na comunicação
O vencedor será anunciado em Setembro de 2026 e receberá um prémio monetário, além de um troféu simbólico.
Submissão de candidaturas
As inscrições devem ser feitas através do site oficial, onde estão disponíveis o regulamento completo e o formulário de candidatura.
Júri
O júri é composto por figuras conhecidas das áreas do jornalismo, do direito animal e Ambiente, entre elas:
- Cristina d’Eça Leal
- Anabela Castro
- Daniela Santiago
- Ana Carreira
- Luísa Guardão
- Marisa Quaresma dos Reis
- Rui Pedro Fonseca
Mais informações: concurso@frenteanimal.com
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