Investigação Frente Animal · Outubro 2026

Mortos entre vivos.

Uma vida em gaiolas

Uma denúncia anónima fez chegar à Frente Animal fotografias e vídeos captados em Agosto de 2026 no interior de três explorações portuguesas. Mostram galinhas e coelhos mortos deixados em gaiolas ocupadas por animais vivos, galinhas sem penas e coelhos com lesões na face e nas orelhas. 

Os supermercados e restaurantes que compram estes ovos podem mudar isto. Pede-lhes que deixem as gaiolas.

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explorações em gaiolas: duas de galinhas poedeiras, uma de coelhos

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pareceres independentes: veterinário, jurídico e de saúde pública

67,1%

das galinhas poedeiras em Portugal vivem em gaiolas

34,5%

é a média da União Europeia. Portugal está perto do dobro

Isto é o que a indústria esconde

Nenhum destes animais se pode afastar

Nem dos outros animais, nem do chão de rede, nem de um corpo que ficou na gaiola. As fotografias e os vídeos chegaram à Frente Animal através de uma denúncia anónima e documentam o interior de duas explorações de galinhas poedeiras e de uma cunicultura.

Aviso: esta galeria contém imagens de animais mortos e feridos. As imagens estão desfocadas. Carrega no botão para as veres, ou numa imagem para a abrir.

O que as imagens mostram

Três explorações, os mesmos problemas

Os achados abaixo vêm do parecer do médico veterinário Nuno Paixão, que analisou as fotografias e os vídeos fotograma a fotograma, e do registo completo de imagens.

Galinhas poedeiras

Zêzerovo

Instalação Avícola da Cruz da Frazoeira, Ferreira do Zêzere. A empresa diz ter capacidade para 2 milhões de galinhas e produzir mais de 1,7 milhões de ovos por dia.

Divulga a certificação de bem-estar animal Welfair (AENOR), obtida em 2021.

Galinhas poedeiras

Ovoliquido, Unipessoal, Lda.

Unidade de Vale da Pedra, concelho da Batalha.

Galinhas poedeiras em gaiolas dispostas em vários níveis.

Coelhos para carne

Cunicultura em Ourém

Exploração de coelhos em gaiolas em Zambujal, Atouguia (Ourém), licenciada desde 1991.

Não existe lei europeia específica para o bem-estar dos coelhos de produção.

Isto não é um acidente isolado. É o que acontece quando um animal passa a vida inteira num espaço de onde não pode sair.

Três pareceres independentes

Três especialistas, a mesma conclusão

A Frente Animal entregou o material da denúncia anónima a um médico veterinário, a um advogado e a uma médica. Os três concluem que as condições documentadas justificam a intervenção presencial e urgente das autoridades.

Medicina veterinária

Achados objectivos que sustentam preocupação relevante com o bem-estar e com as condições higio-sanitárias dos animais.

Recomenda verificação presencial prioritária, assistência imediata aos animais afectados, remoção de cadáveres e revisão do controlo de mortalidade.

Dr. Nuno Paixão
Médico veterinário, cédula profissional n.º 1889

Direito

Indícios suficientemente relevantes para questionar a conformidade das explorações com as normas nacionais e europeias de protecção e bem-estar animal.

Defende uma acção de fiscalização urgente pela DGAV e pela ASAE. Sobre o selo Welfair da Zêzerovo, considera que as condições observadas “suscitam fundadas dúvidas quanto à compatibilidade” com o que a certificação pressupõe.

Dr. Diogo Trabulo
Advogado, cédula profissional n.º 63303L

Saúde pública

Focos activos de risco sanitário, epidemiológico e ambiental, com potencial impacto adverso na saúde pública da comunidade local.

Animais mortos atraem moscas, que podem transportar Salmonella, Campylobacter e E. coli. Dejectos acumulados libertam amónia e poeiras. Recomenda inspecção sanitária e recolha de amostras ambientais.

Dra. Júlia Ferreira Rebelo
Médica especialista em Medicina Geral e Familiar, cédula profissional n.º 59263

Uma vida inteira numa gaiola

Portugal está muito acima da média europeia

E pela pior das razões. As galinhas poedeiras em gaiolas passam toda a vida produtiva em rede metálica, partilhada com outras aves. Os coelhos vivem em gaiolas de arame suspensas sobre os próprios dejectos.

A ciência europeia já tomou posição

Em 2023, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) recomendou evitar o uso de gaiolas para melhorar o bem-estar das galinhas poedeiras.

Os coelhos estão esquecidos pela lei

A EFSA concluiu em 2020 que o bem-estar dos coelhos adultos é mais baixo em gaiolas convencionais do que em qualquer dos outros sistemas avaliados. Mesmo assim, não existe legislação europeia específica que os proteja.

Galinhas poedeiras em gaiolas

Portugal: 67,1%
Média da União Europeia: 34,5%

Fonte: Comissão Europeia, painel de dados do mercado dos ovos (actualização de 14/10/2026). Dados de Portugal referentes a 2024; média da UE referente a 2025.

Uma gaiola não deixa um animal afastar-se de nada: nem dos outros, nem do chão de rede, nem de um corpo que ficou ao lado. A ciência europeia já recomendou o fim das gaiolas. Falta Portugal decidir quando deixará de tratar animais como mercadoria.

Selo de bem-estar e dinheiro público

É isto que estamos a financiar?

Apoios públicos documentados

A Zêzerovo divulga um selo de bem-estar animal e recebeu apoios públicos.

EmpresaApoioApoio público
ZêzerovoPDR2020 (FEADER), modernização da embalagem e energias renováveis, 2022 a 2024
Fonte: Zêzerovo
300.000 €
ZêzerovoPagamento IFAP publicado em Diário da República, 2011
Fonte: Diário da República
600.000 €

Receber apoios públicos não é uma infracção. Mas, como sublinha o parecer jurídico, reforça o interesse público em verificar se as regras de bem-estar animal e sanitárias estão a ser cumpridas. A Zêzerovo divulga desde 2021 a certificação Welfair, emitida pela AENOR.

Onde está a fiscalização?

Pedimos às entidades certificadoras que revejam as auditorias de bem-estar animal destas explorações.

Não fiques em silêncio

Pede às empresas que deixem as gaiolas

Supermercados, restaurantes, hotéis e cafés decidem que ovos compram. Quando se comprometem a deixar os ovos de galinhas em gaiolas, os produtores que os abastecem têm de mudar. Envia um email educado às empresas de retalho e restauração em Portugal e pede-lhes esse compromisso.

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Envia

O email segue para as empresas de retalho e restauração.

Pedimos um compromisso público e datado: deixar de vender e de usar ovos de galinhas criadas em gaiolas.

O que pedimos

Um calendário para o fim das gaiolas

Retalho e restauração

Compromissos públicos e datados para deixar de vender e de usar ovos de galinhas criadas em gaiolas.

Autoridades

DGAV, ASAE e Autoridade de Saúde Local: inspecção presencial urgente às três explorações, com recolha de amostras ambientais. À DGAV pedimos ainda que verifique se o abate dos coelhos respeita o Regulamento (CE) n.º 1099/2009.

Governo e Parlamento

Um calendário nacional para o fim das gaiolas na produção de galinhas poedeiras e de coelhos. A transição para cage-free deve acontecer, no limite, até 2029.

Certificadoras

Revisão das auditorias de bem-estar animal às explorações certificadas.

Como saber se um ovo vem de gaiola

3 PT ••• •••

O primeiro algarismo do código impresso na casca indica o modo de produção: 0 biológico, 1 ar livre, 2 solo, 3 gaiola. Segue-se PT e o número da exploração.

Informações importantes

Perguntas frequentes

As imagens chegaram à Frente Animal através de uma denúncia anónima, captadas em Agosto de 2026. A fonte pediu anonimato. Os ficheiros originais, com metadados e geolocalização, estão disponíveis para verificação pelas autoridades e por jornalistas.

Por elementos de geolocalização, documentação visível no local, marcas de exploração e plantas dos pavilhões. A confirmação formal cabe às autoridades, a quem pedimos inspecção.

Os pareceres identificam deveres legais cujo cumprimento tem de ser verificado: inspecção diária dos animais, remoção diária das galinhas mortas e cuidados aos animais doentes ou feridos (Decreto-Lei n.º 72-F/2003 e Decreto-Lei n.º 64/2000). Confirmar uma infracção cabe às autoridades, e é isso que pedimos.

Pedimos três pareceres a especialistas independentes e levámos o caso às autoridades competentes, pedindo uma inspecção presencial urgente às três explorações.

Porque são eles que compram os ovos. Muitas empresas na Europa já se comprometeram a deixar os ovos de gaiola, e esses compromissos obrigam os produtores a mudar. Em Portugal, 67,1% das galinhas poedeiras ainda vivem em gaiolas.

Não sabes, e esse é parte do problema. Ao contrário dos ovos, a carne de coelho não tem um código que permita ao consumidor identificar a exploração de origem.

Um manifesto promovido pela Frente Animal, com mais de 28.000 assinaturas, que pede à indústria e aos decisores políticos o fim progressivo da produção de animais em gaiolas. Assina em portugalsemgaiolas.com.

Investigações como esta só são possíveis com o apoio de quem nos acompanha. Com um donativo mensal, ajudas a Frente Animal a continuar a mostrar o que a indústria esconde. Apoia o trabalho aqui.

Rigor

Os pareceres baseiam-se nas imagens, sem visita ao local. Não determinam causas de morte nem a frequência dos problemas no conjunto das explorações. Confirmar infracções cabe às autoridades.

Fontes: Comissão Europeia · EFSA 2023 · EFSA 2020 · DL 72-F/2003 · DL 64/2000 · AENOR

Esta investigação é um exclusivo da Frente Animal. Imagens: denúncia anónima / Frente Animal.